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Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

Com 88,44% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro (PSL) é eleito o novo presidente do Brasil e irá comandar o país a partir do dia 1º de janeiro de 2019, em mandato que se encerra no final de 2022. Em sua primeira eleição presidencial, o deputado federal bateu o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), candidato que teve como um de seus principais cabos eleitorais, especialmente no primeiro turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até o momento, Bolsonaro tem 51.945.420 de votos, garantindo sua vitória com 55,70% dos votos válidos. Haddad computa 41.319.261 votos – 44,30% da votação válida. O novo presidente já havia sido o mais votado no primeiro turno, quando também desbancou nomes como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva.

A vitória de Bolsonaro coloca um ponto final em uma polarização nas eleições presidenciais que, desde 1994, foram vencidas apenas por candidatos do PSDB e do PT. Aliás, em um hiato de 20 anos, entre 1994 e 2014, os candidatos petistas e tucanos sempre se revezaram nas primeira e segunda colocações. Nos pleitos de 1994 e 1998, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) saiu vitorioso das urnas em primeiro turno, seguido por Lula. Em 2002 e 2006, Lula foi o vencedor batendo, respectivamente, os tucanos José Serra (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno. Em 2010, a maioria do eleitorado permaneceu favorável aos petistas nas vitórias da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) contra Serra e Aécio Neves (PSDB). Agora, em 2018, apesar dos esforços de Haddad, Bolsonaro é o primeiro presidente fora do eixo PT- PSDB a sair vitorioso de uma eleição desde 1989, quando Fernando Collor de Mello (PTC, à época no PRN), superou Lula também no segundo turno.

Trajetória marcada por polêmicas

Jair Bolsonaro é capitão reformado do Exército, tem 63 anos e disputou pela primeira vez a Presidência da República no atual processo eleitoral de 2018. Tão logo findado o processo eleitoral de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) foi reeleita presidente em disputa apertada contra Aécio Neves (PSDB), Bolsonaro – então, no PP – colocou-se como uma opção para concorrer ao Palácio do Planalto em 2018, o que acabou se confirmando. À época, ele havia acabado de ser reeleito deputado federal sendo o candidato mais votado no Rio de Janeiro, com cerca de 464 mil votos.

Na Câmara dos Deputados, cumpriu sete mandatos: entre 1991 e 1995, eleito pelo PDC; 1995 e 1999, pelo PPR, 1999 e 2003, pelo PPB; 2003 e 2007, pelo PPB; 2007 e 2011, pelo PP; 2011 e 2015, pelo PP; e 2015 e 2019, quando também foi eleito pelo PP. Antes, havia sido vereador pelo Rio de Janeiro. Antes do PSL, passou, portanto por PPB, PDC, PPR, PFL, PTB e PP, além de uma breve passagem pelo PSC. Ao longo de 27 anos, apresentou cerca de 170 projetos de sua autoria na Câmara, mas apenas dois viraram lei. Apesar do extenso currículo parlamentar, Bolsonaro se apresentou na campanha presidencial como um “outsider”, um quadro “antissistema” e como figura nova na política.

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Tal cenário o colocou como um candidato competitivo, muito por conta da antipetismo que cresceu em meio à sociedade. Em quase três décadas de atividade política, o presidente eleito conseguiu ganhar popularidade por posições polêmicas e discursos radicais, incluindo a defesa da ditadura militar e de nomes como o do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, tido como torturador de pessoas que se rebelavam contra o regime militar que ficou em vigência no Brasil entre 1964 e 1986. Também eram notórias suas posições em defesa de uma política mais rígida contra criminosos e de comentários considerados ofensivos a minorias sociais como homossexuais e mulheres.

Em seu projeto presidencial, Bolsonaro iniciou uma jornada pelo país ainda antes do ano eleitoral, percorrendo várias cidade do país nos últimos três anos, participando de carreatas e mobilizando apoio em aeroportos. A tendência se manteve mesmo após o atentado sofrido em Juiz de Fora, quando suas posições se concentraram ainda nas redes sociais. Ao considerar os resultados das urnas, tais opções podem ser consideradas acertadas.

Da facada à Presidência

Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora (Foto: Raysa Leite)

Jair Bolsonaro vence a disputa pela Presidência da República após uma campanha bastante atípica. Sem uma grande coligação, o presidente eleito não contou com tempo de rádio e TV e apostou nas redes sociais para divulgar suas mensagens e sua peregrinação pelo Brasil, em situação em que, quase sempre, era recebido por grandes multidões de apoiadores. O favoritismo na disputa já se revelou mesmo antes do início da campanha, uma vez que aparecia líder nas pesquisas estimuladas nos cenários sem a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tal condição foi ratificada quando, em 1º de setembro, o TSE ter rejeitou a candidatura de Lula à Presidência com base na Lei da Ficha Limpa pelo fato de o petista ter sido condenado, em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá.

Com a saída de Lula do páreo, a condição de favorito de Bolsonaro não chegou a ser ameaçada nas pesquisas até sua eleição neste domingo, a despeito do sólido crescimento de Fernando Haddad, substituto de Lua na disputa. Assim, a vitória de Bolsonaro se deu após uma campanha que apresentou, claramente, dois momentos. No primeiro deles, o deputado federal fez uma campanha linear, bastante similar a seus atos de pré-campanha, com grande atuação nas redes sociais e corpo a corpo com os eleitores país afora. Tudo mudou no dia 6 de setembro, exatamente em uma visita à Juiz de Fora. Após ser recebido por uma multidão no Parque Halfeld, o presidenciável resolveu descer o Calçadão e, na esquina das ruas Halfeld e Batista de Oliveira, foi vítima de um atentado ao ser atingido por uma facada desferida por Adélio Bispo de Oliveira.

A facada significou uma reviravolta na campanha de Bolsonaro. O deputado, que chegou a correr risco de morte, foi obrigado a ficar 24 dias internados e a passar por dois processos cirúrgicos – um deles na Santa Casa de Juiz de Fora. Neste período, sua campanha, praticamente, restringiu-se à internet. Após receber alta no dia 29 de setembro, o presidente eleito retomou suas atividades externas de forma paulatina. Sua condição de saúde serviu como escusa para que o presidenciável se recusasse a participar de sabatinas em veículos de comunicação e de debates. Mesmo após a liberação por parte dos médicos, Bolsonaro, estrategicamente, furtou-se a participar de embates cara a cara Fernando Haddad. Levando em consideração os resultados das urnas, a estratégia foi acertada. Até porque, ao longo de toda a campanha, sempre foi destacada uma suposta fragilidade de Bolsonaro no enfrentamento e no embate de ideias com seus adversários.

F: Riacho em Foco

Sobre Francisco Marcos Ferreira

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