SEGUNDO LAVA JATO, ODEBRECHT PROVARÁ CAIXA 2 PARA DILMA.


A informação dos investigadores da Lava Jato é que eles obtiveram provas de recursos de caixa 2 doados pela Odebrecht para a campanha à reeleição da presidente afastada, Dilma Rousseff.
O noticiário do final de semana trouxe detalhes das delações que ainda estão em curso e que podem sofrer ajustes. As colaborações mais importantes são as dos executivos da Odebrecht, especialmente de Marcelo Odebrecht. Mas houve novidades a respeito das delações do empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.
Os investigadores da Lava Jato dizem ter certeza de que a Odebrecht apontará e provará uso do caixa 2 na campanha de Dilma em 2014, provavelmente com origem em propinas de contratos públicos. A presidente sempre negou isso e continua negando.
Mas essa informação torna praticamente impossível qualquer estratégia da presidente Dilma para tentar barrar o impeachment no Senado. A acusação que sustenta o atual pedido de impeachment está baseada nas pedaladas fiscais. No entanto, a revelação do que está sendo delatado pela Odebrecht deverá ter influência negativa sobre o julgamento definitivo do impeachment.
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Impacto sobre Temer
Em relação ao governo Temer, o conjunto das delações aponta acusações contra o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, e as principais figuras do PMDB no Senado, como o presidente da Casa, Renan Calheiros, e os senadores Romero Jucá e Edison Lobão. Atinge ainda o ex-presidente José Sarney. Esses personagens são apoiadores importantes da gestão Temer.
Se a situação deles se complicar, ficará mais difícil a ação do governo no Congresso. Até agora, Temer tem aprovado os projetos que deseja. Uma revelação de caixa 2 na campanha de Dilma vai levantar questionamentos sobre a chapa que disputou o Palácio do Planalto em 2014. Quando constatar a complicada situação de Dilma, o PT tentará comprometer Temer no processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), corte presidida pelo ministro do STF Gilmar Mendes, que tem sido um aliado de Temer.
No TSE, a estratégia de Temer é sustentar que as contas da presidente e do vice são desvinculadas numa campanha presidencial e que ele não poderia ser responsabilizado por eventual irregularidade praticada pela campanha da petista. A tese é polêmica, pois há os que consideram que, como Dilma e Temer foram eleitos juntos, o que atinge um contaminaria o outro.
Houve reportagens sobre dois ministros de Temer: Henrique Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). No Palácio do Planalto, o caso de Henrique Alves é considerado mais frágil. Surgiu revelação de atuação em tribunais de contas a favor da OAS, de acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A respeito de Geddel, a avaliação é que se trata de menção já sabida de pedido de recursos à OAS e, portanto, menos grave do que a de Alves. Obviamente, os dois casos serão avaliados ao longo da semana.
Em geral, as reportagens do final do semana não trouxeram menções a Temer, o que o deixa preservado neste momento. Em alguma hora, Temer terá de tratar da reforma política, mas talvez seja preciso esperar a passagem do furacão da Lava Jato sobre a atual classe política para ver quais atores sobreviverão e com quem seria possível negociar mudanças nas regras políticas. As recentes delações atingirão políticos dos principais partidos do país.
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Duas quedas a caminho 
A tendência é que mais dois integrantes do governo Temer sejam persuadidos a pedir demissão nesta semana. No caso do advogado-geral da União, Fábio Osório Medina, há uma série de episódios que o desgastaram nas últimas três semanas.
Ele perdeu o apoio político do próprio padrinho, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Se não pedir demissão por contra própria, deverá ser exonerado.
Em relação à ex-deputada Fátima Pelaes, há avaliação de que foi uma escolha ruim para a Secretaria das Mulheres e de que a permanência dela reforça as críticas de uma equipe de governo sem diversidade, isso sem contar a suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares apontada pelo Ministério Público.
Os dois, portanto, são candidatos a cair nesta semana.
Fonte: Blog Do Kennedy 


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