Atletas militares brasileiros estão de olho nas medalhas nas Olimpíadas do Rio em 2016.

O Coronel da Força Aérea Júlio Almeida ganhou seis medalhas nos Jogos Pan-Americanos, inclusive o ouro na pistola livre em agosto último. Ele espera obter medalhas nas Olimpíadas do Rio em 2016. [Foto: Felipe Barra/Ministério da Defesa]

Por Flávia Ribeiro

Cerca de 120 membros das Forças Armadas Brasileiras devem competir nas Olimpíadas do Rio em 2016, após o sucesso nas Olimpíadas de Londres em 2012, onde 51 atletas militares ganharam cinco das 17 medalhas do país.
O sucesso dos atletas militares pode ser medido através do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento, que é o resultado de uma parceria com o Ministério da Defesa, o Ministério dos Esportes, o Comitê Olímpico Brasileiro e outras confederações atléticas.
“Em 2007, ficamos em 27º lugar nos Jogos Mundiais Militares. Íamos sediar a edição seguinte, em 2011, e éramos candidatos a receber os Jogos Olímpicos de 2016”, explicou o Brigadeiro Carlos Augusto Amaral, diretor do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa. “Então, pensamos: como podemos melhorar nosso desempenho? Avaliamos e percebemos que em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim, oito dos dez primeiros colocados no ranking de medalhas tinham um programa esportivo em conjunto com as Forças Armadas.”
Para criar uma infraestrutura de apoio no desenvolvimento de atletas no Brasil, o Ministério dos Esportes investiu US$ 6,5 milhões (R$ 25,221 milhões) no programa das Forças Armadas entre 2010 e 2015, enquanto o Ministério da Defesa gastou cerca de US$ 4 milhões (R$ 15,5 milhões) somente em salários.
Todo o trabalho desde 2008 irá culminar nas Olimpíadas de 2016, que começa em 5 de agosto. E o projeto não terminará com o fim dos Jogos, em 21 de agosto.
“A gente não quer a sensação de que o assunto acaba na Olimpíada do Rio. O Ministério da Defesa já tem pronto um planejamento para o ciclo de 2016 a 2020, pensando nos Jogos Mundiais Militares de 2019 e nos Jogos Olímpicos de 2020. O programa, pelo Ministério da Defesa, não morre.”
O Programa contribuiu para o excelente desempenho brasileiro durante os Jogos Mundiais Militares em 2011 no Rio, quando o país ficou em primeiro lugar no quadro de medalhas – 114 no total, com 45 de ouro, 33 de prata e 36 de bronze. Em outubro, o Brasil ficou em segundo lugar na contagem de medalhas nos Jogos Mundiais Militares em 2015 na Coreia do Sul, com 84 medalhas – 34 de ouro, 26 de prata e 24 de bronze.
Tamanho sucesso é, em parte, graças aos excelentes atletas que são militares brasileiros. Atualmente, o Exército, a Marinha e a Aeronáutica têm 541 atletas que participam de 24 esportes enquanto servem como pessoal militar temporário por até oito anos. Além disso, 167 atletas militares são membros de carreira das Forças Armadas e têm experiência em tiro esportivo ou em atividades que são exclusivamente militares, como paraquedismo e pentatlo naval.
'O Exército é meu apoio'
As esperanças olímpicas da Sargento do Exército Iris Tang Sing mudaram drasticamente quando ela entrou no Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento em 2011.
Depois de uma infância pobre em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a Sgto. Iris aspirou se tornar uma profissional do taekwondo – uma decisão que os pais dela não apoiaram. Iris teve de procurar dinheiro de empresas locais e organizar rifas para financiar suas viagens para as competições.
“Apenas quando entrei no Exército Brasileiro, tive a certeza de que deveria continuar meus planos para me tornar uma atleta profissional”, disse a Sgto. Iris, 25 anos. que ganhou uma medalha de bronze em uma competição na Rússia no início deste ano, uma de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto em agosto e uma medalha de ouro nos Jogos Mundiais Militares em outubro de 2015.
”O Exército é o meu apoio. O soldo não atrasa, é garantido. O esporte me mostrou o mundo, me deu novas perspectivas e me apontou um outro caminho: dou aula para crianças numa ação da prefeitura de Itaboraí (cidade no estado do Rio de Janeiro), o Projeto Íris. O esporte é minha vida e meu apoio é o Exército.”
O Coronel da Aeronáutica Júlio Almeida, 46 anos, ganhador de seis medalhas em vários Jogos Pan-Americanos, espera que sua segunda e última Olimpíada seja a melhor.
O Cel. Almeida ficou em 11º lugar no fogo rápido, 12º na pistola aérea e em 17º na pistola livre nas Olímpiadas de Pequim em 2008, antes de ganhar o ouro na pistola livre nos Jogos Pan-Americanos em agosto e na competição de tiro por equipe nos Jogos Mundiais Militares em outubro.
“Quando estava na academia, ainda cedete, comecei a me destacar no tiro esportivo e segui com essa atividade, paralelamente às minhas atribuições como oficial”, disse. “Acho muito válido. Há uma falta de estrutura para o esporte no Brasil, uma estrutura que nós temos em muitos quartéis.”
Programa fornece apoio abrangente
O Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento apoia a Sargento do Exército Yane Marques, que treina como pentatleta desde 2009.
A Sgto. Yane, 31 anos, ganhou um bronze nas Olimpíadas de 2012, antes de ganhar uma prata no Campeonato Mundial de Pentatlo Moderno de 2013 em Taiwan e um bronze na mesma competição na Alemanha em 2015. Nos Jogos Pan-Americanos, ela ganhou um ouro em 2007 e 2015, e ficou com uma prata em Guadalajara em 2011, além de faturar outra medalha de ouro nos Jogos Mundiais Militares em 2011.
"Só poderei ficar até março de 2017, quando completo oito anos", disse a Sgto. Yane, que ganhou seis de suas sete medalhas desde que entrou no programa. "Mas foi o momento certo, que pegou minha preparação para Londres, onde conquistei o bronze, e para o Rio, ano que vem. Esse programa não é algo que possa ser temporário. Pode beneficiar várias gerações de atletas, se continuar."
Além de receber o soldo, há nutricionistas, fisioterapeutas, médicos, dentistas e treinadores das Forças Armadas à disposição dos atletas
“Tem o soldo também, mas não é só pela parte financeira. Em todo canto do Brasil, há um quartel com alguma estrutura. Em viagens para competir, usei muito essas instalações. Em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Resende...”
Outros participantes do programa com grande potencial de medalhas nas próximas Olimpíadas são os Sargentos Leonardo de Deus e Etiene Medeiros (natação), Sarah Menezes, Mayra Aguiar, Erika Miranda, Maria Portela, Tiago Camilo e Charles Chibana (judô), além dos jogadores de vôlei de praia, os times masculino e feminino de handebol e a seleção feminina de futebol.


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