Empresa da Paraíba faz campanha com foto de menino sírio morto e gera polêmica

Abap-PB divulgou nota de repúdio;empresa responsável explicou que a ideia era fazer com que houvesse reflexão acerca da situação das crianças
Reprodução/Facebook/GCA Comunicação
Imagem foi usada em outdoor
Uma empresa de publicidade da Paraíba está recebendo críticas nas redes sociais após uma campanha publicitária em outdoors, na qual usa a imagem domenino sírio Aylan Kurdi, que morreu em uma praia da Turquia em meio à crise dos refugiados da Síria. A imagem foi usada no fim de semana de comemorações referentes ao Dia da Criança (12 de outubro).



A foto da publicidade mostra a criança morta no canto esquerdo e, na parte direita, a mensagem: “O futuro de nossas crianças não pode morrer na praia”. De acordo com a GCA Comunicação, responsável pela ideia, a campanha feita para o Dia da Criança seria apropriada para uma reflexão profunda do que se passa com crianças aqui e em outras partes.

“A foto não estava ali para ser usada na venda de algum produto, mas simbolicamente para que lembrássemos que o futuro de nossas crianças não pode morrer na praia. Nós temos nossos Aylans morrendo de bala perdida, de inanição, de fome, na porta de hospitais, nas ruas, nos barracos das favelas e sempre diante da indiferença das mesmas pessoas que dizem “chocadas com imagem tão forte”, disse a GCA em um texto no Facebook, intitulado 'A hora dos indiferentes', para responder às críticas.

Leia na íntegra:

"A hipocrisia não é um privilégio nosso, mas é um sentimento que grassa mundo afora. Na comemoração do dia da Criança produzimos um outdoor, levando em conta que a data seria apropriada para uma reflexão profunda do que se passa com crianças aqui e em outras partes.

A fotografia impactante do garoto sírio Aylan Kurdi encontrado morto em uma praia da Turquia que virou símbolo da indiferença e da hipocrisia para alguns, leva qualquer cidadão comum a reflexões importantes.

A foto não estava ali para ser usada na venda de algum produto, mas simbolicamente para que lembrássemos que o futuro de nossas crianças não pode morrer na praia. Nós temos nossos Aylans morrendo de bala perdida, de inanição, de fome, na porta de hospitais, nas ruas, nos barracos das favelas e sempre diante da indiferença das mesmas pessoas que dizem “chocadas com imagem tão forte”! Ao ler esse artigo alguma criança está tendo seu futuro interrompido em algum lugar desse planeta, e por que não por aqui também? Um outdoor não deixa escolha e obriga os indiferentes a ver a imagem polêmica. Não podem agir como fazem cotidianamente, não podem fechar o vidro do carro para não atender á criança pedindo nos semáforos. Que tal uma visita aos lixões? Uma criança tomando água turva tirada de um barreiro disputada por animais que jogam seus dejetos ali mesmo. Ou frequentar a fila do SUS com uma criança doente ao colo. Que tal?

Ficam chocados com uma imagem que foram, de certa forma obrigados a ver, mas não se importam com aquelas que o descaso e a indiferença fazem questão de esconder dos olhos e da alma.

Para lembrar o comentário do jornal britânico “Independent”: "Se estas imagens com poder extraordinário de uma criança síria morta levada a uma praia não mudarem as atitudes da Europa com relação aos refugiados, o que mudará?" (G1). Imagens fortes têm o poder de levar quem a vê a uma reflexão. O que queremos é que cada um de nós deixe de lado a indiferença, faça sua parte, por menor que seja para que a cada hora possamos salvar um Aylan numa praia da Turquia ou bem perto de nós na aridez do nosso sertão".


A Associação Brasileira de Agências de Publicidade na Paraíba (Abap-PB) usou a rede social para divulgar uma nota de repúdio. “No último fim de semana [dedicado ao Dia da Criança], a publicidade paraibana devia estar celebrando a alegria e esperança que as crianças despertam na sociedade, mas uma peça publicitária veiculada em outdoor foi definida como desproporcional e desnecessária”, disse a Abap-PB.

Intitulada ‘Publicidade não é um vale tudo’, a nota diz que a GCA extrapolou a ética profissional e o bom senso. “A Abap-PB repudia tal peça publicitária, alertando para possíveis sanções legais de responsabilidade social, às quais a agência está suspeita”.

Leia:

"Em um fim de semana e feriado dedicados a nos lembrar da alegria e esperança que as crianças despertam na sociedade, a publicidade paraibana foi maculada com uma peça publicitária que pode ser definida como desproporcional e desnecessária.

A atividade publicitária tem como principal objetivo direcionar o interesse do público para determinadas marcas e, em quem é atingido por ela, despertar uma ação favorável à empresa, mas isso não nos exime da responsabilidade social de sempre sermos conduzidos pelo código de ética profissional e pelo bom senso. Não estamos em um vale tudo e, na sua vontade desenfreada de impactar, a agência extrapolou esses dois pontos. Acreditando estar fazendo um bom trabalho, acabou deixando evidente o despreparo profissional e chegando ao ponto de ser veiculado o outdoor nas principais avenidas da Capital sem a devida análise de como poderia repercutir. Agravando a situação, temos a exposição da fotografia sem o devido crédito e aparentemente sem a autorização do fotógrafo para uso da mesma.

A Associação Brasileira das Agências de Publicidade – seccional Paraíba (Abap-PB), repudia tal peça publicitária, alertando para as possíveis sanções legais e de responsabilidade social às quais a agência está sujeita.

Torcendo para que episódios como esse não se repitam, a Abap-PB espera que este momento sirva de reflexão e que ajude o mercado paraibano a crescer, se tornando referência em peças criativas e com mensagens positivas à toda sociedade".


Críticas

Entre os internautas, as críticas foram diversas. “Fica evidente que a peça não funciona completamente quando é necessário explicar a peça. É sempre melhor criar uma peça bem entendida que uma bem explicada. Além disso, vocês ainda acham bacana usar a imagem da criança morta e, ainda por cima, usar um trocadilho ligado ao fato? Para mim, é um material de péssimo gosto e que não alcança o objetivo como deveria”, postou um usuário.

“Uma desculpa seria o mais sensato. Usar o trocadilho ‘morrer na praia’, com uma imagem tão forte, muito desnecessário”, escreveu um internauta. “Admitir um erro, nobreza de poucos”, comentou mais uma pessoa.
Internautas criticaram
Foto: Internautas criticaram
Créditos: Reprodução
fonte:portal correio

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